Especial Clarice Lispector

Genial e simples! Estas são talvez as características mais marcantes de Clarice Lispector. Nascida em 10 de dezembro de 1920, em Tchetchelnik, na Ucrânia, Clarice se considerava brasileira, por isso, foi naturalizada e até hoje é aclamada pela crítica e seus ávidos leitores. Seus livros e citações estão entre os mais procurados por gerações, tendo em vista que o foco de cada geração se renova e se modifica, mas quando o assunto é Clarice Lispector, não. Ela permanece eternizada através de suas obras geniais e criativas.

Clarice Lispector

Clarice Lispector veio para o Brasil com seus pais em 1921, tendo por residência a cidade de Maceió. Mais tarde mudou-se para Recife e, em seguida, para o Rio de Janeiro. Em 1944, tornou-se aluna de Direito. Escreveu nesta época seu primeiro romance, “Perto do Coração Selvagem”. Casou-se com o embaixador Maury Gurgel Valente, com quem morou em Nápoles, Berna, Torquay (Inglaterra) e Washington.

Após sua separação conjugal, voltou ao Rio de Janeiro, quando passou a escrever para colunas de jornais e revistas. A escritora que inaugurou a prosa introspectiva no Brasil e se dedicou à investigação da consciência humana em busca de um sentido para sua própria existência, se declarava como amadora e afirmava que era exatamente isso que desejava ser. Hoje também é considerada romancista, contista, cronista, tradutora e jornalista. Interessante é o fato de jovens melhor entenderem suas obras, enquanto professores afirmam ter lido e relido algumas, e ainda a questionavam sobre o que se trata.

Mãe e maternal declarada, Clarice Lispector afirma que os adultos são frios e escrever para crianças é trabalhar a fantasia. Nunca assumiu ser uma escritora, pois afirmava que escrevia porque gosta e quando queria escrever e não por que tinha que escrever, por um contrato, por um trabalho e, que quando isso ocorria, por muitas vezes se sentia travada. Até os mais experientes ficavam atônitos com a presença de Clarice: jornalistas, escritores, professores e intelectuais que estiveram em sua presença, afirmam que seu olhar parecia ver a fundo cada um, enxergava muito mais do que tantos outros olhos, era incomum. Clarice declarou em sua última entrevista, que começou sua carreira sem querer, como toda criança que inventa contos de infância, puros e inocentes:

“Antes de sete anos eu já fabulava, já inventava histórias, por exemplo, inventei uma história que não acabava nunca.”

Clarice Lispector

E sua carreira não parou mais, escrevendo livros e contos para jovens e adolescentes, livros infantis, novelas, colunas, romances, dentre outros, que se tornaram obras nas quais a literatura brasileira se apoia. A maioria de suas obras tem o conteúdo avaliado em vestibulares desde então e a própria autora afirma ter recebido relatos de jovens que faziam de suas obras também livros de cabeceira, após terem sido obrigados a lê-los nas universidades. Sempre muito secreta sobre seus futuros lançamentos, Clarice ocultava até mesmo nomes de seus personagens nas entrevistas que concedia, alegando que seria segredo até que a obra fosse publicada:

“Sou tão misteriosa que não me entendo”

Muito a frente de seu tempo, Clarice Lispector tirava seus contos mais criativos e diferenciados dos acontecimentos do dia-a-dia: “[…] e imaginei, quando tomei o táxi de volta, que seria muito engraçado se um táxi me atropelasse e eu morresse depois de ter ouvido todas aquelas coisas boas. Então a partir daí foi nascendo também a trama da história”. Para ela, mais do que transportar para cada um o que sentia, seu trabalho era levar sentimento e vida às pessoas, afirmando que:

“[…] quando não escrevo estou morta”

Neste conto, ela relata o abuso de poder por parte da polícia, mostrando também o caráter denotativo de suas obras, afirmando que apenas uma bala bastava para matar Mineirinho, o protagonista da história: “Qualquer que tivesse sido o crime dele uma bala bastava, o resto era vontade de matar. Era prepotência”. O mais intrigante na escritora é sua simplicidade em querer expor o que pensa sem se quer se preocupar com o resultado, ou seja, ela é o que é, sem sobras, sem mistérios:

“[…] eu escrevo sem esperança de que o que eu escrevo altere qualquer coisa”

Mal poderia imaginar que transformaria milhares de mentes, abriria novas portas, definiria bases de estudo da literatura brasileira. Tragicamente, em 09 de Dezembro de 1977, Clarice Lispector morreu em virtude de câncer, no Hospital do INPS – Rio de Janeiro, onde esteve internada desde 16 de Novembro, no quarto de número 600. A autora foi sepultada no Cemitério Comunal Israelita, na véspera de seu aniversário de 57 anos.

Jornal noticiando a morte de Clarice Lispector

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Livros de Clarice Lispector

As obras de Clarice Lispector somam hoje 39 livros! Muitos foram atualizados, relançados e lançados antes e pós-morte da autora:

  • Perto do Coração Selvagem (1943);
  • O Lustre (1946);
  • A Cidade Sitiada (1949);
  • Laços de Família (1960);
  • A Maçã no Escuro (1961);
  • A Legião Estrangeira (1964);
  • A Paixão Segundo G.H. (1964);
  • O Mistério do Coelho Pensante (1967);
  • A Mulher que Matou os Peixes (1968);
  • Uma Aprendizagem ou o Livro Dos Prazeres (1969);
  • Felicidade Clandestina (1971);
  • Água Viva (1973);
  • Onde Estivestes de Noite (1974);
  • A Via Crucis do Corpo (1974);
  • A Vida Íntima de Laura (1974);
  • Para Não Esquecer (1978);
  • A Hora da Estrela (1977);
  • Um Sopro de Vida (1978);
  • Quase de Verdade (1978);
  • A Bela e a Fera (1979);
  • Como Nasceram as Estrelas (1987);
  • Correspondências (2002);
  • Aprendendo a Viver: Crônicas (2004);
  • Aprendendo a Viver (2005).

Curiosidades

  • A artista afirmou ainda em vida que sua obra preferida era O ovo e a galinha – “Que é um mistério para mim”;
    A obra “A Hora da Estrela” foi adaptada para o cinema, em 1985;
  • Tinha por fã, algumas peças fundamentais ao nosso país, como por exemplo, o cantor Cazuza;
  • A escritora e filósofa francesa Hélène Cixous vai ao ponto de dizer que há uma literatura brasileira A.C. (antes da Clarice) e D.C. (depois da Clarice);
  • Em sua morte, a família e os amigos pediram a todos que respeitassem um desejo antigo da escritora: não fotografassem seu corpo morto;
  • Atualmente, a autora é uma das mais citadas em redes sociais, graças às declarações e pensamentos inteligentes! Para ver mais citações, acesse Frases de Clarice Lispector.